Nenhuma história começa sozinha: somos atravessados por muitas outras.

Há encontros que parecem abrir uma janela para enxergarmos o mundo de um jeito diferente. Alguns nos convidam a olhar para o céu, outros para a terra que pisamos e outros, ainda, para as histórias que existem muito antes de nós. Foi nesse movimento de escuta, curiosidade e descoberta que a Biblioteca Comunitária Sabiá do Saibro Sábio recebeu o artista indígena e escritor Xadalu, acompanhado da editora Piu, para uma tarde de encontro com os educandos do WimBelemDon e estudantes de uma escola da comunidade.

Como parte do Plano Anual de Atividades da Biblioteca do WimBelemDon 2026, a conversa atravessou os caminhos da ancestralidade, da cultura e da cosmologia indígena. A partir das histórias e experiências compartilhadas por Xadalu, as crianças foram convidadas a conhecer outras formas de compreender a existência, a relação com a natureza e os vínculos que conectam os povos às suas memórias, aos seus territórios e aos seus antepassados.

Alem de apresentar histórias, o encontro abriu espaço para outros modos de sentir e perceber o mundo. Há conhecimentos que vivem nos livros, mas também existem aqueles que atravessam gerações pela oralidade, pelos símbolos, pelas experiências e pela relação com tudo aquilo que nos cerca. Quando essas histórias encontram ouvidos curiosos, algo bonito acontece: o aprendizado deixa de ser apenas sobre conhecer e passa a ser também sobre reconhecer.

E curiosidade não faltou. Entre perguntas, descobertas e trocas, os educandos puderam se aproximar de aspectos das culturas indígenas que nem sempre encontram espaço nas conversas do cotidiano. A presença de Xadalu tornou possível esse contato de perto, criando um ambiente em que perguntar, ouvir e compartilhar faziam parte da mesma experiência. Um encontro para compreender que existem muitas maneiras de narrar o mundo e que cada uma delas carrega saberes, memórias e perspectivas que merecem ser escutadas.

A literatura e a arte, nesse caminho, tornam-se pontes entre tempos, lugares e pessoas. Elas nos permitem chegar a histórias que talvez ainda não conhecêssemos e perceber que o mundo é muito maior do que aquilo que conseguimos enxergar à primeira vista. Ao aproximar as crianças de um artista indígena e de seus conhecimentos, a Biblioteca Sabiá reafirma seu papel como espaço de encontro entre diferentes vozes, culturas e formas de existir.

No fim, talvez alguns encontros continuem acontecendo dentro da gente mesmo depois que a conversa termina. Fica uma pergunta, uma imagem, uma nova maneira de olhar para o céu ou para a terra. E fica também a lembrança de que nenhuma história começa sozinha: somos atravessados por muitas outras, por aqueles que vieram antes e por tudo aquilo que ainda estamos aprendendo a compreender. Na Sabiá, cada encontro é uma oportunidade de deixar essas histórias criarem raízes e encontrarem novos caminhos para florescer.