Existe um mundo ideal de todo atleta, creio eu. Um lugar onde vencer parece ser o destino esperado, onde levantar um “troféu” representa a confirmação de todo esforço. Talvez seja justamente essa vontade de ser o melhor que, às vezes, nos faça esquecer que o esporte nunca foi apenas sobre vitórias. Ele também é sobre aprender a perder, recomeçar e descobrir que algumas derrotas ensinam muito mais do que qualquer medalha. Foi com esse olhar que encerramos a programação das férias de inverno no WimBelemDon.



Ao longo da semana, construímos atividades pensadas para atender todos os públicos da instituição, proporcionando momentos de lazer, convivência e aprendizado. E, é claro, não haveria forma melhor de concluir essa programação do que dentro da quadra, onde diariamente cultivamos muito mais do que habilidades esportivas. Durante dois dias de competição, entre a manhã de quinta-feira e a manhã e tarde de sexta-feira, aconteceu o Torneio Interno de Duplas. Em disputas marcadas pelo compromisso, pela superação e pelo respeito entre os participantes, Luís Miguel e João Schneider conquistaram o primeiro lugar. O vice-campeonato ficou com Maurício Baierle e Muriel Baierle, que também protagonizaram uma trajetória de muita dedicação durante todo o torneio. Mas a cena mais marcante daquele dia não aconteceu no momento da premiação. Ela aconteceu logo depois do último ponto. Como acontece com qualquer atleta, a derrota pesou. Por alguns instantes, parecia que o mundo havia diminuído para quem sonhava com aquela conquista. E isso é natural. Perder dói. Faz parte do esporte, mas nem por isso deixa de machucar.


Foi então que algo muito maior do que o resultado apareceu em quadra.
Luís Miguel e João Schneider, recém-campeões, perceberam que aquele não era apenas o momento de celebrar. Era também o momento de enxergar quem estava do outro lado da rede. Aproximaram-se dos colegas, acolheram seus sentimentos e dividiram com eles um gesto simples, mas profundamente significativo. Naquele instante, o ganhar deixou de ser o centro da história. O que realmente importou foi a capacidade de compreender a dor do outro sem diminuir a alegria da própria conquista.

É justamente aí que o esporte revela sua maior vitória. A empatia transforma adversários em companheiros de caminhada. A gentileza encontra espaço mesmo em meio à competição. A humildade ensina que ninguém é maior por vencer, assim como ninguém é menor por perder. A perseverança lembra que uma derrota não define uma trajetória, apenas prepara o próximo capítulo. E o respeito faz com que cada partida termine da mesma forma que começou: reconhecendo o valor de quem esteve do outro lado da quadra. No WimBelemDon acreditamos que formar atletas é importante, mas formar pessoas é essencial. Cada treino, cada torneio e cada desafio são oportunidades para desenvolver habilidades que ultrapassam qualquer placar. São experiências que fortalecem o caráter, ensinam responsabilidade, despertam sensibilidade e mostram que a verdadeira conquista acontece quando aprendemos a crescer junto com o outro. Ao final daquele torneio, havia sorrisos. Havia também lágrimas, silêncio e frustrações. Mas, acima de tudo, havia uma certeza: naquele dia, todos saíram da quadra levando algo muito mais valioso do que um título. Levaram a compreensão de que vencer é extraordinário, mas ser capaz de estender a mão a quem perdeu é o que faz do esporte uma verdadeira escola para a vida.









