Participar também é um direito: educandos do WimBelemDon levam suas vozes à Conferência dos Direitos da Criança e do Adolescente

08/06


Toda transformação começa quando alguém entende que sua voz importa. Foi com esse propósito que o WimBelemDon promoveu, no dia 8 de junho, uma pré-conferência com crianças e adolescentes atendidos pela instituição, preparando-os para participar da 13ª Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente da Região Extremo Sul de Porto Alegre

Conduzida pela equipe do Serviço Social, a atividade apresentou aos educandos o tema da conferência e os seis eixos de debate que orientam a construção de propostas para fortalecer as políticas públicas voltadas à infância e à adolescência. Mais do que explicar o funcionamento da conferência, o encontro buscou despertar um olhar crítico sobre o território onde vivem, os serviços públicos disponíveis e o papel que cada um pode exercer na transformação da própria realidade.

No WimBelemDon, acreditamos que conhecer os direitos é o primeiro passo para exercê-los. Quando crianças e adolescentes compreendem como funcionam as políticas públicas e percebem que podem participar das decisões que impactam suas vidas, eles deixam de ser apenas beneficiários e passam a ocupar um lugar de protagonismo na construção de uma sociedade mais justa.

29/06


Dias depois, esse aprendizado ganhou vida durante a participação dos educandos na Conferência Regional dos Direitos da Criança e do Adolescente, realizada no Arco Clube dos Correios, próximo à sede da instituição. Ao lado de representantes de diversas organizações da região Extremo Sul, nossos adolescentes participaram das discussões, compartilharam experiências e contribuíram com propostas para o fortalecimento das políticas públicas.

Cada participante integrou um dos seis eixos temáticos da conferência, garantindo que diferentes perspectivas estivessem representadas. No entanto, as discussões que mais mobilizaram o grupo foram as do Eixo 3, voltado à promoção da convivência familiar e comunitária, e do Eixo 4, dedicado à prevenção e ao enfrentamento das violências.

Durante os debates sobre convivência familiar e comunitária, os educandos destacaram a importância da existência de espaços seguros, gratuitos e acolhedores dentro dos territórios, onde crianças e adolescentes possam estudar, praticar esportes, desenvolver atividades culturais e criar vínculos positivos. Também reforçaram que fortalecer as famílias passa por ampliar o acesso à informação, ao acompanhamento social e psicológico e às oportunidades que permitam uma vida mais digna para todos.

Já nas discussões sobre prevenção das violências, surgiram reflexões sobre a necessidade de ampliar campanhas de conscientização nas escolas e comunidades, fortalecer o trabalho em rede entre instituições, qualificar o acolhimento às vítimas e criar espaços permanentes de escuta para crianças e adolescentes. Os participantes também ressaltaram que combater a violência exige prevenção, diálogo e presença constante do poder público nos territórios.

Outros eixos também despertaram importantes contribuições. Os educandos defenderam maior participação de crianças e adolescentes nas decisões dos Conselhos de Direitos, sugeriram investimentos contínuos na formação dos Conselhos Tutelares, reforçaram a importância da permanência na escola como estratégia de prevenção ao trabalho infantil e destacaram que adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas precisam encontrar oportunidades reais de reinserção social por meio da educação, da cultura e da qualificação profissional.

Mais do que um momento de debate, a conferência mostrou que nossos educandos possuem repertório, sensibilidade e vontade de contribuir para melhorar o lugar onde vivem. Quando encontram espaços de escuta qualificada, conseguem transformar suas experiências em propostas concretas, demonstrando que participação cidadã também se aprende e se fortalece na prática.

A presença do WimBelemDon nesse processo reafirma um compromisso que faz parte da história da instituição: formar cidadãos conscientes de seus direitos, preparados para ocupar espaços de decisão e capazes de construir coletivamente um futuro mais justo para crianças, adolescentes e suas comunidades.