No terceiro, e penúltimo, encontro do Clube de Leitura 60+, entramos de cabeça no universo da poesia. O livro da vez foi O Gesto Sensível do Mundo, de Denise Freitas, e talvez a pergunta que ficou ecoando ao longo da manhã tenha sido maior do que o próprio livro: será que ainda conseguimos olhar para os gestos sensíveis do mundo? A mediação da Lu Thomé nos conduziu por esse caminho sem pressa, abrindo espaço para que cada pessoa pudesse compartilhar suas impressões. E foi curioso perceber que a conversa começou quase com um pedido de desculpas coletivo. “Será que fui eu que não entendi?”, “Será que não consegui entrar na leitura?”, “Será que não tenho o olhar certo para a poesia?”. O sentimento era comum. A leitura foi exigente, densa, silenciosa. Não era um livro que se deixava terminar com facilidade.



Mas, aos poucos, entendemos que talvez essa fosse justamente a proposta.
A poesia não nos pede velocidade. Ela pede uma presença. Não quer, necessariamente, ser compreendida de imediato; quer ser sentida. Ela nos convida a desacelerar, a aceitar o que nem sempre pode ser explicado e a voltar o olhar para aquilo que quase nunca recebe atenção: um silêncio, uma memória, uma paisagem, um afeto, um pequeno gesto. Entre falas, pausas e diferentes interpretações, percebemos que não existia uma resposta certa. Cada leitura era única, porque cada pessoa chegava ao livro com sua própria história. E talvez a maior beleza daquele encontro tenha sido essa: descobrir que nem tudo precisa fazer sentido na primeira leitura para nos transformar. Saímos dali com menos respostas do que quando chegamos, mas com um olhar um pouco mais atento para o mundo. E talvez seja esse o maior presente da poesia: lembrar que a vida também acontece nas pequenas delicadezas que a correria insiste em esconder.

Nosso agradecimento à Lu Thomé pela condução tão sensível desse encontro e a cada participante que compartilhou seus pensamentos, suas dúvidas e seus silêncios. Afinal, olhar para o mundo com sensibilidade também é um jeito de cuidar da vida.

