Para entender melhor o horror:

Oficina Literária Contos de Horror

Nem todo monstro tem garras. Alguns carregam nomes, medos, preconceitos e histórias que atravessam gerações. Foi desse lugar que nasceu a oficina conduzida por Irka, um convite para mergulhar no universo do horror, do terror e do fantástico sem buscar sustos, mas perguntas, e sair com algumas respostas…

Ao longo dos encontros, a literatura encontrou o cinema, o teatro e a dança para mostrar que as histórias de terror dizem muito sobre quem somos. Cada obra apresentada ampliava o repertório dos participantes e abria espaço para conversas que iam muito além da ficção. O horror psicológico, o sobrenatural e o terror social surgiam como diferentes maneiras de enxergar o mundo e compreender os medos que habitam a sociedade.

No centro dessa caminhada estava Frankenstein. Mais do que um clássico da literatura, a obra serviu como ponto de partida para uma discussão que permanece atual: quem define quem é o monstro? A criatura nasce monstruosa ou é transformada pelo olhar de quem a rejeita? A partir dessas perguntas, o grupo refletiu sobre exclusão, pertencimento, responsabilidade e empatia, percebendo como o contexto muda completamente a forma como interpretamos personagens e também pessoas.

As conversas foram se tornando um espaço onde nenhuma resposta precisava ser definitiva. O mais importante era exercitar o olhar, ouvir perspectivas diferentes e compreender que uma mesma história pode carregar inúmeras leituras. O fantástico, então, deixou de ser apenas um gênero literário e passou a funcionar como uma ferramenta para pensar a realidade.

No encerramento da oficina, chegou a vez de cada participante ocupar o lugar de autor. Inspirados pelos debates e pelas referências construídas ao longo dos encontros, eles criaram contos próprios, transformando inquietações em narrativas. A leitura coletiva das produções foi, talvez, o momento mais bonito da experiência. Histórias ganharam voz, a imaginação encontrou acolhimento e cada texto revelou um pouco da forma como seus autores enxergam o mundo.

A oficina deixou como principal aprendizado a certeza de que a literatura continua sendo um dos lugares mais potentes para fazer perguntas. Afinal, antes de apontar quem é o monstro, talvez seja preciso entender quais histórias escolhemos contar e quais olhares decidimos alimentar.