E se o começo for justamente quando a gente acha que está terminando?

O que você espera da vida quando tem 15 anos? Talvez ainda seja cedo para saber. Talvez a resposta mude amanhã. Ou talvez, no fundo, seja mais simples do que parece: ter um trabalho, ganhar dinheiro, conquistar estabilidade, poder escolher os próprios caminhos. Durante quase um ano, entre setembro de 2025 e agosto de 2026, o ACElera nos colocou diante dessas perguntas. E foi muito fácil escrever sobre esse projeto enquanto estávamos dentro dele, porque, a cada encontro, percebíamos que por trás de histórias tão diferentes existiam desejos muito parecidos. Cada jovem chegava carregando seu próprio mundo, suas dúvidas, seus sonhos e também suas inseguranças. E, aos poucos, fomos descobrindo juntos que o futuro não precisa estar pronto para começar a ser construído.

O ACElera nasceu justamente desse desejo: ampliar os horizontes de nossos educandos e ex-educandos e aproximá-los do mundo do trabalho. Durante esses meses, todas as terças-feiras, os encontros foram espaços de conversa, troca e descoberta, mediados por profissionais convidados e atravessados por temas como comunicação, educação financeira, inovação, trabalho em equipe, atitude e ética. Mas talvez dizer apenas isso seja pouco. Porque o ACElera não foi apenas sobre aprender a fazer um currículo, entender uma profissão ou descobrir como funciona uma empresa. Foi sobre perceber que existem caminhos que, muitas vezes, a gente nem sabia que podia percorrer. Em uma das experiências, os jovens conheceram o Tecnopuc. Em outra, simularam situações do cotidiano de trabalho e descobriram, na prática, que fazer o que foi pedido pode ser importante, mas estar disposto a ir além pode fazer toda a diferença. Foi assim que Jhully, de 15 anos, encontrou uma das suas aprendizagens favoritas: uma simples simulação de atendimento que mostrou como iniciativa, atenção e cuidado também fazem parte do trabalho. E talvez seja justamente aí que o ACElera tenha encontrado sua maior força: em transformar coisas aparentemente pequenas em descobertas que ficam.

Maria Eduarda, também com 15 anos, conta que aprendeu coisas que não imaginava que aprenderia e que muitos desses aprendizados foram sendo construídos com o tempo. Não aconteceu tudo de uma vez. Foi aos poucos, encontro após encontro, conversa após conversa, que algumas ideias começaram a fazer sentido. Também aprendemos que falar sobre futuro não significa falar apenas sobre correr atrás dele. No DesACElera, por exemplo, a proposta era desacelerar. Em meio à correria que tantas vezes parece ser uma exigência da vida e do trabalho, os jovens foram convidados a respirar, pintar, perceber o próprio tempo. Kyara, de 15 anos, levou dessa experiência uma compreensão simples e importante: nem tudo precisa ser feito com pressa. Às vezes, é preciso respirar fundo, tentar novamente e respeitar o próprio ritmo. Talvez isso também seja preparação para a vida. No dia 15 de agosto, encerramos os encontros dessa turma. Foram 18 jovens que passaram pelo ACElera ao longo dessa jornada e 11 que chegaram até o último encontro. Mas não gostamos muito da palavra “encerramento”. Ela parece dar a impressão de que alguma coisa acabou ali, quando, na verdade, o que mais vimos acontecer foi o contrário. Alguns jovens começaram a se aproximar do mercado de trabalho. Outros perceberam que, naquele momento, aquele caminho já não fazia sentido para eles. Cada um seguiu, ou começará a seguir, a partir de onde conseguiu chegar. E isso também faz parte de crescer.

Entre dias de chuva e dias de sol, cansaço e entusiasmo, fomos construindo uma coisa que talvez seja difícil de medir: a sensação de pertencimento. Saímos algumas vezes do nosso próprio mundo para conhecer outros lugares, outras pessoas, outras possibilidades. E, em cada uma dessas experiências, havia uma mensagem que gostaríamos que eles levassem consigo: esses espaços também são nossos. O mundo não deveria parecer distante demais para ninguém. O ACElera foi, de muitas formas, sobre mostrar possibilidades. Sobre apresentar caminhos que talvez ainda não estivessem no mapa. Sobre conversar sobre dinheiro, carreira, comunicação, escolhas, responsabilidade e sonhos, mas também sobre aprender a ouvir, negociar, trabalhar junto, pedir ajuda, tentar de novo e acreditar que existe espaço para cada um construir sua própria história. E talvez seja por isso que seja tão difícil colocar tudo o que aconteceu em palavras. Porque entre setembro de 2025 e agosto de 2026 não couberam apenas aulas ou encontros. Couberam pessoas. Couberam descobertas. Couberam mudanças pequenas, quase imperceptíveis, que só conseguimos reconhecer quando olhamos para trás. No fim, talvez o ACElera:Galera nunca tenha sido sobre preparar jovens para encontrar respostas. Talvez tenha sido sobre ajudá-los a descobrir quais são as perguntas que querem levar consigo. E se hoje uma porta parece um pouco mais possível de abrir, se um lugar que antes parecia distante agora parece alcançável, se uma profissão passou a fazer sentido, se uma conversa trouxe coragem ou se simplesmente alguém descobriu que não precisa ter tudo resolvido aos 15 anos, então alguma coisa já começou.

Porque, para nós, essa turma não termina em agosto.

Ela segue daqui.

Quem acredita também faz parte dessa história

Nenhuma trajetória é construída sozinha. Por trás de cada encontro, cada conversa, cada descoberta e cada jovem que saiu do ACElera enxergando um pouco mais de possibilidades, também estiveram pessoas e instituições que escolheram acreditar. Agradecemos à BrazilFoundation, ao PMIRS e ao Programa Talentos de Futuro, do Instituto Algar, por tornarem possível essa jornada e por acreditarem que preparar jovens para o mundo do trabalho também significa ampliar horizontes, fortalecer a autonomia e mostrar que existem caminhos possíveis, não queria terminar esse texto sem agradecer às pessoas que fizeram o ACElera acontecer de verdade. À equipe do WimBelemDon, por todo o cuidado, pela confiança e por fazer com que cada encontro pudesse acontecer. A todos que, de alguma forma, estiveram envolvidos nessa caminhada, meu muito obrigada. À Valéria, que foi minha parceira nessa jornada e a multiplicadora do programa, um agradecimento especial. Foi um privilégio dividir contigo as nossas terças-feiras, acompanhar cada encontro, cada conversa, cada dúvida e cada descoberta. Acho que, no fim, nós duas também aprendemos muito.

E a todos os profissionais que passaram pelo ACElera, que abriram um pouco de suas experiências para conversar com os nossos educandos: obrigada por compartilharem tempo, conhecimento e, principalmente, possibilidades.

Eu, Julie, tive a sorte de estar ali como dupla da Valéria durante esse ciclo. E talvez uma das coisas mais bonitas de participar de um projeto assim seja perceber que, enquanto a gente acredita estar ensinando alguma coisa, também está sendo transformada por tudo aquilo que escuta.

Obrigada a todos que fizeram parte dessas terças-feiras.

Foi um privilégio viver o ACElera com vocês.