Match Point

Jornal Metro 13/03/2015

WimBelemDon
Projeto que promove inclusão social através do tênis precisa de apoio para manter atividades em Porto Alegre. Atletas famosos entram na campanha

Você já imaginou Fernando Meligeni, Thomaz Koch e Gustavo Kuerten atuando juntos? Agora eles estão. Os craques se uniram – porém fora das quadras – para tentar salvar o projeto WimBelemDon, que há mais de dez anos trabalha com a inclusão social de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social por meio do ensino do tênis e outras atividades. O projeto corre o risco de perder sua sede em Porto Alegre. metro02

Localizada em um terreno cedido no bairro Belém Novo, na zona sul da cidade – daí o trocadilho com o tradicional torneio londrino de Wimbledon, a iniciativa atende cerca de cem alunos, de segunda à sexta-feira. Além de aprender tênis, eles também participam de oficinas de cinema, leitura e escrita, reforço de matemática, técnicas de concentração e meditação, e aulas de inglês. A maioria dos participantes do projeto tem carências em casa.

No projeto, as crianças e adolescentes de seis a 18 anos recebem almoço e lanche, tudo no turno inverso ao da escola e de forma gratuita. Essa bela iniciativa, no entanto, pode chegar ao fim agora em junho. O terreno, que abriga a quadra, as salas de aula, cozinha e vestiários, está para ser vendido pelo proprietário. Para manter as atividades, os coordenadores, com o apoio dos tenistas famosos, criaram a campanha Fixando Raízes com o objetivo de adquirir o espaço, atualmente emprestado.metro03

Trata-se de um crowdfunding, sistema que recebe doações pela internet, e devolve aos doadores recompensas das mais diversas. Com apenas R$ 15, o doador já entra para a lista de apoiadores do WimBelemDon. Conforme o valor das doações cresce, as recompensas também aumentam, passando por livros autografados de Guga e Meligeni, camiseta e raquete oficial autografada por Bruno Soares e até uma partida amistosa contra o ídolo e embaixador do projeto Fernando Meligeni.

A primeira meta – de R$ 50 mil – foi alcançada. Mas para adquirir a área são necessários R$ 400 mil, objetivo ainda distante. Ontem, a contagem no site apresentava R$ 75 mil doados, restando 32 dias para que a meta seja cumprida. Para doar qualquer quantia, veja o quadro acima. “Estamos correndo um sério risco, mas não me permito pensar em plano B ou C. Só penso que vai dar certo”, confia o fundador do projeto, Marcelo Ruschel.

E basta visitar a sede do WimBelemDon para entender a importância importância e os resultados da iniciativa, como na vida do tímido Andrey Flores dos Santos, 15 anos. Com problemas de autoestima e vivendo situação complicada em casa – onde mora com a mãe em um terreno que abriga as casas de mais três tias e da avó –, há quatro anos o jovem ingressou no projeto, que se tornou a parte preferida do seu dia. “Por mim eu estaria sempre aqui”, revela.metro04

O tênis, que aos poucos se tornava o esporte preferido de Andrey, ganhou a preferência absoluta após o garoto dividir a quadra com Guga e Meligeni durante o 4o Rolando Arroz, evento organizado na sede do projeto e que também leva o nome em referência ao famoso torneio de Roland Garros, do qual Guga é tricampeão.

Os famosos tenistas bateram bola com a garotada, atuaram como juízes e atenderam aos inúmeros pedidos de fotos. E o arroz não ficou só do nome do evento: mais de 600 tijelas de risoto foram servidas durante todo o dia. “É uma receita que não é novidade, de mesclar um esporte cativante com cidadania”, resume Ruschel. “O que oferecemos é uma oportunidade, um suporte para eles perceberem que existem dois caminhos. E o tênis é o meio que usamos, sutilmente, para transformar a vida deles”, finaliza a coordenadora do WimBelemDon, Luciane Barcelos da Silva.

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